Entre o bem que quero e o mal que muitas vezes pratico
“Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico” (Rm 7.19).
Não és bom e nem mal; és triste e humano…
Vives ansiando em maldições e preces,
Como se, a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre a esperança e desinteresses.
Capaz de horrores e ações sublimes,
Não fica da virtude satisfeito,
Nem te arrepende, infeliz, dos crimes:
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.
(Olavo Bilac, 1865-1918).
As declarações são de dois homens completamente distintos, a não ser pelo fato de serem dois homens. Motivo pelo qual ao lermos as declarações encontramo-nos representados nelas. O poeta brasileiro, mesmo não sendo cristão evangélico, sentia, como todo homem, dentro de si a luta do bem contra o mal, da virtude contra o desvirtuamento, da razão benfazeja e do prazer deletério. Mas o que esperar de um simples pecador? Todavia, o maior de todos os apóstolos, aqueles que viu e ouviu o que não é digno mencionar ao mortal, declara: “Pois o que faço, não entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço” (Rm 7.15).
Calma! Não se trata de um caso perdido. Há uma abissal diferença quando um homem impenitente declara que lamenta pelos seus pecados e quando um abnegado servo do Senhor declara a mesma coisa. O primeiro provavelmente expressa o real estado de seus sentimentos, mas não conseguirá, nem de longe, entender o significado da declaração do segundo. Consideremos os fatos:
Todos os homens enfrentam a guerra das decisões morais, tendo que decidir de forma continua entre a justiça e a injustiça, o certo e o errado, o bem e o mal. O que já escolheu a Cristo precisa decidir se permanece nEle, ou se retorna ao velho escravizador. Permanecendo em Cristo necessitará escolher entre praticar todos os ensinamentos do Senhor, ou, se só alguns, ou ainda, se fingirá em obedecer ou obedecerá sem vacilação.
Na busca de sermos quem desejamos ser, contaremos sempre com a maravilhosa provisão de Deus, mas sempre haverá a nossa parte da ação. Só para lembrar: Deus não jejuará por nós, não orará em nosso lugar e não virá ler a Bíblia que compramos e não estar sendo usada.
O terceiro fato, consiste na realidade espiritual influenciada pelo pecado na qual vivemos, aonde o bem é praticado com grande esforço e o mal sem esforço nenhum. Assim, eu preciso aplicar grande esforço para conservar minha vida de oração, porém facilmente eu encontrarei brilhantes desculpas para justificar o abandono dela.
Voltando para as declarações iniciais, pergunte-se: por que Paulo não escondeu seu fracasso para conservar a aparência de um cristão superior? A evidente resposta é: Paulo buscava a conservação do avivamento pessoal, e isso passa por uma fé não fingida; um arrependimento verdadeiro para todas as vezes que deixamos de fazer o que devemos, levado por qualquer motivo, por mais bem justificado que ele possa parecer; e finalmente, pela ação firmada na fé, que Deus nos fará triunfar sobre todo o pecado.
Portanto, reaja em quanto é tempo, jogue fora o fingimento, abandone todas as excelentes desculpas que te leva a deixar de fazer o que é necessário. Destrua o habito de tentar dá conta de tudo que é urgente, construa o de fazer o que de fato é importante.
Pr. Walberto Magalhães Sales